Nikoguru

Guerra do Paraguai (1864/1870): os mortos não queriam morrer

  • por em 28 de abril de 2021

“A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”, disse um general chinês alguns séculos antes de Cristo. A Guerra do Paraguai, a mais longa e terrível enfrentada pelo Brasil, é um exemplo de como o governo imperial navegou contra a razão e o bom senso.

De fato, o Paraguai era considerado como uma ameaça pela diplomacia na região platina. O Iraque de Saddam Hussein também era considerado como uma ameaça pelos Estados Unidos de George Bush, em 2003. Falando com sinceridade, nossa diplomacia tem raríssimos bons exemplos.

O ditador paraguaio, Francisco Solano López, era acusado de ter projetos expansionistas que ameaçavam o delicado equilíbrio da região platina, área de intensa navegação internacional. Brasil, Argentina, Uruguai e, claro, Inglaterra, consideravam a área como de grande importância e, portanto, pretendiam deter qualquer projeto paraguaio de expansão territorial.

Ai, a vaca foi para o brejo, pois D. Pedro II e o presidente argentino, Mitre, decidiram intervir no Uruguai, depondo o seu presidente, Atanásio Aguirre, aliado de Solano López. O interesse do Brasil e da Argentina era o de destituir um governante uruguaio aliado do Paraguai e, assim, impedir uma futura, talvez, quem sabe, união do Paraguai com o Uruguai.

O imperador D. Pedro II (esq.) e ditador Solano López (dir.)

Ledo engano de nossos estrategistas, para não dizer outra coisa. E, não venham dizer que a Inglaterra foi atuante neste momento, não foi. Todos os equívocos são nossos, exclusivamente nossos. E vão custar a vida de milhares de pessoas. Mas, parece que os governos não se importam muito em poupar vidas, não é? Nem ontem e nem hoje, as vidas importam. Acho que li em algum lugar “black lives matter”. Bom, acredito que qualquer vida importa, negra, verde, amarela, branca …

Voltando à Guerra do Paraguai: quando o Brasil e a Argentina decidiram interferir no Uruguai e destituir o presidente Aguirre, colocando no poder o querido Venâncio Flores (uruguaio, mas oficial das tropas argentinas), o ditador Solano López reagiu, pois considerou a interferência como uma agressão (de fato, foi). O Paraguai reagiu militarmente e, logo em seguida, invadiu o Brasil e a Argentina ao mesmo tempo. Pronto, começou o matadouro!

Em nome da Pátria (o que é a Pátria?), milhares de pessoas, pais, filhos, netos, irmãos, sobrinhos, fazendeiros, trabalhadores, gente que queria viver em paz, foram para a Guerra. Vale dizer que não vamos pra guerra para morrer pela Pátria, mas para matar pela Pátria, esta é a verdade nua e cruenta. Então, todos foram matar uns aos outros.

Um dado curioso sobre o Brasil. Muitos dos nossos soldados eram escravos – mandados por seus proprietários para lutarem pela Pátria escravista, que ironia. Outros escravos eram substitutos de patriotas que não queriam ir para a guerra e, por isso, alistavam seus escravos como valiosos guerreiros brasileiros. Ao final da guerra, caso sobrevivessem, os escravos receberiam alforria. Era um ótimo negócio, caso sobrevivessem.

Senhor de escravos cedendo um “bem” para o exército imperial durante a Guerra do Paraguai. Semana Ilustrada, 11 de novembro de 1866.

Após alguns anos, a guerra acabou. As versões dos vencedores e os lamentos dos perdedores até hoje ecoam nos livros da História mal contada. A bem da verdade, toda História de Guerra é mal contada. Os mortos falam por meio de seus procuradores que os chamam de heróis. Precisaram morrer para virarem heróis combatentes. Tenho certeza que vários governantes, até hoje, preferem não ser heróis e viver bastante e com regalias.

A Guerra acabou, o Paraguai perdeu e Solano morreu, com um disparo do nosso valente Chico Diabo, sargento patriota. O Paraguai ficou menor. Perdeu em torno de 70% de seus habitantes. Parte de seu território o Brasil e a Argentina tomaram. O Brasil perdeu uns 50 mil soldados.

Prisioneiro de guerra paraguaio ao lado de oficial brasileiro em 1868. Parte do exército paraguaio era formado por crianças desde a queda de Humaitá.

E a Inglaterra? Alguns perguntam. Quando o conflito começou, havia necessidade de financiamento, pois as armas e munições custam dinheiro. Sempre é bom ter um banco por perto. E, no final, e até hoje é assim, os bancos nunca perdem. Só os mortos perdem.

E assim, terminou o Genocídio Americano, com mais de 400 mil mortos, em 1870. Não aprendemos com a História. Precisaremos de outro genocídio?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Jose Adauto Resende

Os caras estão tão doutrinados pelos comunas que não conseguem escrever sobre qualquer assunto sem fazer ilações desrespeitosas aos Governantes Sérios. Falta de profissionalismo total!!!

Jean Carlos Moreira

isso mesmo, um jornaleco que tenta desmontar uma pátria

Erani de Paula Araújo

Quer dizer que o Paraguai queria dominar o local pretendido e o Brasil tinha que cruzar os braços e deixar pra là?…..Hoje o nosso “Solano Lopez”, esse conseguiu roubar, esta soltinho da silva….eita Brasil!!!
… esse pais não é para amadores mesmo…

Justoss

Maldito lixo covarde,, colocavam os escravos para morrerem em batalha.

Frederico Teixeira

Vim atrás de um relato histórico e encontrei um texto pobre de informações e cheio de comentários desnecessários. Qual o objetivo dessa matéria?

Bruno Mourão de Araújo

SInceramente, culpa nossa? Brasil e Argentina intervem no Uruguai, o Paraguai entao invade e mata brasileiros em Uruguaiana, a resposta do Brasil neste caso deveria ter sido o que? “Ó que pena. invadiram o Brasil, mataram brasileiros, toma aqui um cafézinho?”. A Guerra do Paraguai e o exterminio de 70% da população masculina do Paraguai é de culpa do ditador Solano Lopéz, que enquanto fugia colocava crianças no exército para que morressem enquanto ele tentava salvar seu proprio rabo. Este sabia que nao aguentava uma guerra longa, e mesmo percebendo que tinha perdido, nao se rendeu e deixou o seu próprio povo morrer.

Jean Carlos Moreira

muito bom, esse comentário. esse JORNALECO, também deve ser extinto

Justoss

e no Brasil os lixos dos generais colocavam escravos para lutarem.. militar é lixo mesmo e covarde

Fernando

Dormem com Bolsonaro estes pregadores do apocalipse!

Observador do Norte

Os comentários no texto refletem uma realidade que a maioria das pessoas não querem ver! Se nas guerras os dirigentes e quem as declara fossem obrigados a ir primeiro para o “front”, certamente teríamos menos guerras no mundo! A verdade verdadeira é que as guerras só interessam mesmo à indústria bélica e aos líderes mitômanos!

Gengis Khan

Como pode escrever um artigo tão parcial. Até quando as faculdades de História, no Brasil, vão continuar formando pessoas interessadas em doutrinar os incautos. A “estória” contada pro esta turma é bem diferente da realidade, nela, Lula nunca roubou e a Dilma é uma genial “presidenta” alijada do poder por um golpe legislativo e judiciário. Lembrem-se estes estúpidos que irão escrever os livros de história no futuro.