Nikoguru

A importância do fator Rh para transfusões e gravidez

  • Nikoguru
  • por em 4 de maio de 2021

Além do gene e seus respectivos alelos responsáveis pela produção das proteínas relacionadas ao fator ABO, que determina o tipo sanguíneo nos humanos, existe outro gene localizado em um outro par de cromossomos homólogos, relacionado a produção do fator Rh. Ter o conhecimento do tipo de Rh no sangue é muito importante, especialmente para mulheres que estão grávidas ou desejam engravidar.

Esse gene apresenta duas variantes, uma relacionada a produção do fator Rh e outra que não viabiliza a produção da proteína. O primeiro é dominante (D), enquanto o segundo é recessivo (d), dessa forma, os indivíduos homozigotos dominantes (DD) e heterozigotos (Dd) apresentam o fator Rh, enquanto a presença do alelo d em homozigose (dd) gera hemácias sem essa proteína.

Um indivíduo do tipo Rh- quando entra em contato com um sangue contendo hemácias Rh+ é estimulado a produzir anticorpos anti-Rh. Esses anticorpos vão se ligar especificamente às hemácias Rh+ e destruí-las. A sensibilização só irá ocorrer após o contato com esse tipo sanguíneo, ou seja, uma pessoa Rh- não irá produzir esses anticorpos a não ser que tenha sua circulação invadida por hemácias Rh+. Esse padrão é diferente do observado para o sistema ABO, nesse caso indivíduos A, B produzem,
respectivamente, os anticorpos anti-B e anti-A , enquanto indivíduos do tipo O produzem ambos.

Sangues contendo hemácias com o fator Rh- não apresentam antígenos Rh nas membranas de suas hemácias, portanto, podem ser livremente doados a indivíduos de sangue Rh+ e Rh- (lembre-se que o sistema ABO também deve ser levado em consideração para a realização dessa doação).

Para indivíduos sangue Rh- não antes expostos a hemácias Rh+ a doação não gera nenhuma reação adversa, mas no momento da doação, o paciente reconhece o fator Rh como um antígeno e passa a produzir anticorpos anti-Rh, além de gerar células de memória imunológica. Dessa forma, caso haja outro contato com hemácias Rh+, esse indivíduo produzirá grande quantidade de anticorpos anti-Rh em um curto espaço de tempo, atacando
as “hemácias invasoras”, podendo causar grandes impactos negativos. Por essa razão, salvo casos específicos, doações de sangue de um pessoas Rh+ para pessoas Rh- são contra-indicadas.

Saber o Rh é fundamental para grávidas e doadores de sangue recorrentes.

Eritroblastose Fetal

Uma aplicação importante do conhecimento sobre o fator Rh é observado nos casos da doença hemolítica do recém nascido ou eritroblastose fetal. Essa doença acomete recém nascidos Rh+ que possuem mães Rh- que já foram sensibilizadas por hemácias Rh+, seja por uma transfusão sanguínea ou durante um parto de um filho Rh+. Durante o parto a mãe entra em contato com o sangue do filho, caso o tipo sanguíneo desse filho seja positivo, a mãe será sensibilizada e irá gerar memória imunológica contra o fator Rh, em uma eventual segunda gravidez de uma criança Rh+, os anticorpos anti-Rh maternos podem atravessar para a circulação fetal e passar a atacar as hemácias fetais, gerando um grave quadro de anemia.

Para evitar essa sensibilização no momento do parto da primeira criança Rh+, mães Rh- recebem um medicamento que contém anticorpos anti-Rh. Esses anticorpos presentes no medicamento se ligam às hemácias fetais e impedem que o sistema imune materno seja sensibilizado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.