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Platão

  • por em 5 de abril de 2021

Fundador da Academia de Atenas, Platão, aluno de Sócrates e professor de Aristóteles, é um dos filósofos gregos mais conhecidos e estudados até os dias atuais, especialmente por sua obra ter sobrevivido praticamente intacta mais de 2400 anos, o que não aconteceu com a grande maioria de seus contemporâneos do mundo antigo.

Muito importante para a história da filosofia, Platão é responsável por termos acesso ao pensamento de diversos filósofos da Grécia antiga, como Sócrates – seu mestre, Heráclito, Parmenides e Pitágoras. Platão foi ainda o introdutor do método de diálogo em filosofia e com sua obra A República fundou a filosofia política ocidental.

Os personagens dos diálogos de Platão tratam de diversos temas em praticamente todas as áreas da vida, privada ou pública, entre os principais temas encontramos, a política, arte, religião, justiça, medicina, vício e virtude, crime e castigo, sofrimento e prazer, sexualidade e a natureza humana, amor e sabedoria, entre outros.

Platão foi uma dos filósofos mais conscientes do modo como a filosofia deveria ser concebida e qual deveria ser seu escopo e quais ambições poderia aspirar o filósofo. De fato, Platão pode ser considerado o inventor do tema da filosofia, aquilo de que ela de fato trata, tendo a filosofia como um rigoroso e sistemático exame dos assuntos éticos, políticos, metafísicos e epistemológicos através de um método distintivo.

A Platão frequentemente se atribui uma posição filosófica que atualmente seria descrita como racionalista, parte de uma definição de raciocínio como uma operação mental discursiva, pautada pela lógica, e utilizando proposições para extrair conclusões; realista, em relação à existência de universais, as formas ideais; idealista, com sua teoria das ideias, na qual a verdadeira realidade estaria no mundo das ideias, sendo acessível apenas à razão; e dualista, concepção baseada na existência de duas substâncias irredutíveis uma a outra. Embora estas posições não tenham sido completamente desenvolvidas por Platão, suas ideias iniciais inspiraram a formação destas posições filosóficas, a tal ponto que, por exemplo, o realismo, na forma apresentada acima, é hoje conhecido como “Realismo Platônico”.

Alegoria da Caverna de Platão: O que é real?

A Teoria das Formas, também frequentemente referida como Teoria das Ideias, é um dos mais importantes desenvolvimentos filosóficos de Platão, de acordo com esta teoria, as formas abstratas, aquelas não-materiais, possuem o tipo mais elevado e fundamental de realidade, mesmo não possuindo existência física estas formas são substanciais e imutáveis. O mundo material mutável que conhecemos através da sensação teria existência secundária e dependente das formas, também chamadas “ideias”. Alguns autores chamaram estas formas de “essências puras” que sustentam a existência do mundo material. Platão defendeu a existência de uma conexão metafísica, portanto abstrata, entre a maneira como procuramos ter acesso às formas, descrevendo tal procura, bem como as dificuldades inerentes a este processo, em sua Alegoria da caverna, na obra República.

Alegoria da Caverna: a verdade não estava no mundo sensível e sim no mundo das ideias.

Para além de sua grande relevância para a filosofia e ciência, Platão também foi importante para o processo de racionalização da fé cristã, em grande medida através de sua influência sobre o filósofo e teólogo Agostinho, um dos mais importantes da história da cristandade.

A República

A República é um escrito de Platão que foi provavelmente produzido por volta de 380 a.C. Com um tamanho considerável, a obra foi dividida em dez livros, todos escritos na forma de diálogo, no qual o filósofo Sócrates, mestre intelectual de Platão, ocupa o lugar de personagem principal.

Em A República, Platão apresenta a busca de Sócrates por uma forma de governar que atenda a todos e, para isso, é necessário esclarecer o que é a Justiça em si. São apresentadas formas de governar uma cidade, a divisão dos poderes e os tipos de caráter que devem predominar entre os ocupantes de cargos públicos. Por ser uma forma ideal de governo, A República pode ser considerada a primeira utopia política registrada no Ocidente.

No livro VII de A República, Platão apresenta a sua tão atual e bem comentada Alegoria da Caverna, na qual Sócrates apresentaria aos interlocutores do diálogo uma história alegórica para explicar a superioridade do conhecimento advindo do Mundo das Ideias e do raciocínio.

Pintura que demonstra a importância e influência do pensamento de Platão para a Filosofia Moderna.

Principais Ideias

Dialética: Platão buscou fundar, sob a influência de Parmênides, a sua dialética. Como uma técnica oral de diálogo filosófico, a dialética consistiria na obtenção de uma nova ideia, uma síntese a partir de duas ideias opostas apresentadas anteriormente: a tese e a antítese. Assim, o diálogo filosófico tornar-se-ia mais rico por recorrer a uma estratégia de aproveitamento das ideias.

Idealismo: A noção de idealismo pode ser considerada como a mais influente de Platão para a posteridade e a mais importante dentro de sua obra, pois o filósofo criou nas ideias e nos conceitos das coisas a verdadeira essência e o verdadeiro conhecimento possível. Segundo Platão, todo o conhecimento, toda a verdade, todas as relações e todos os seres existiriam, verdadeira e imutavelmente, em sua forma ideal, que seria suprema e verdadeira.

Aquilo que conhecemos por meio de nossos sentidos corpóreos seriam apenas ilusões causadas por nossos órgãos, portanto, seriam um conhecimento inferior e enganoso. O conhecimento ideal estaria, segundo o filósofo grego, no Mundo das Ideais, estância metafísica racional que só poderia ser alcançada por nosso intelecto. O idealismo circunda tanto aspectos metafísicos da obra de Platão como os aspectos epistemológicos.

Política: Platão concebeu uma teoria política baseada em sua teoria idealista. Segundo o filósofo, existiriam três tipos de caráter que moldam as almas das pessoas:

  • Caráter concupiscível: tipo de alma em que há a prevalência dos desejos e das paixões mais animais. Esse caráter mais impulsivo estaria localizado principalmente na região abdominal das pessoas. No modelo político ideal de Platão, seria um bom atributo para os artesãos e trabalhadores em geral, pois eles poderiam, em suas condições de trabalho autônomas, exercer sua liberdade sem ficarem submetidos a grandes responsabilidades.
  • Caráter irascível: nesse tipo de alma, prevalecem os impulsos de ira e cólera, a agressividade e a força. Essas características estariam mais presentes, segundo Platão, no coração e seriam bons atributos para um soldado.
  • Caráter racional: nesse tipo de alma, há o predomínio absoluto da razão. A localização corporal dessa característica estaria na cabeça, e ela seria a característica principal dos filósofos e pensadores. No modelo político ideal de Platão, seria a característica dos governantes e legisladores também, pois a capacidade racional e o intelecto os levaria a um modo de governar justo e que atendesse da melhor forma o interesse de toda a cidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
Filosofia
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