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Santo Agostinho e a Geração Z

Aurélio Agostinho de Hipona (354 d.C. / 430), mais conhecido como Santo Agostinho escreveu:

O que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, sei o que é. Se quiser defini-lo a alguém que me pergunte, não sei. No entanto, digo confiadamente que sei, porque, se nada passa, não há tempo passado; se nada acontece, não há tempo futuro; se nada existisse, não haveria tempo presente. Portanto, aqueles dois tempos, o passado e o futuro, como é que existem, quando o passado já não existe e o futuro ainda não existe? Por sua vez, o presente, se fosse sempre presente e não passasse a passado, não seria já tempo, mas eternidade.

 (Santo Agostinho, Confissões)

A partir do pensamento de Santo Agostinho, o tempo é fugaz e a distância entre passado e futuro é medida por cada um a sua maneira. O tempo parado, sem passado e sem futuro, é a eternidade. Nesta perspectiva, a vida eterna deve ser monótona. Sem lembranças e recordações e sem um futuro para desejar. 

Santo Agostinho – suas concepções sobre as relações entre a fé e a razão dominaram toda a Idade Média

O santo filósofo e a Geração Z

E o que tem a ver o pensamento de Agostinho de Hipona com a Geração Z? Em primeiro lugar, o que é Geração Z? De um modo geral, são as pessoas que nasceram entre os anos de 1995 e 2010, ou seja, em plena Era Digital, integrados à internet e à tecnologia. São indivíduos que lidam com o tablet como os da minha geração lidam com a caixa de fósforo.

Além de integrada à tecnologia de forma umbilical, a Geração Z tem seus hábitos, características e peculiaridades. O que não é “cringe”, a Geração Z adota e curte. O termo “cringe” é de origem inglesa e significa “vergonhoso”. As gerações passadas têm comportamento “cringe”. Aliás, quando uma geração nova surge, a anterior torna-se, automaticamente, “cringe”. Os nativos digitais, ou GenZ, ou Geração Z, estão na moda e na proa do navio da Humanidade e, quando olham para a popa deste navio, torcem o nariz e dizem:

_ “Cringe”!.

Z: mundo fluido, conectado e “solitário”

Deixando o exagero de lado, as pessoas Z não precisam se acostumar com a tecnologia, porque nasceram num ambiente de constante revolução tecnológica, cheia de aplicativos, conexões, redes, dados, enfim. Isto tudo faz o povo Z assumir uma postura diante da vida marcada pela intensa mobilidade, pelo ativismo plural, pelas conexões fluidas, pelo consumo de informações, pelo imediatismo. Um paradoxo emerge na realidade (virtual?) dos GenZ: eles são conectados com o mundo e com as diversidades. Sabem tudo, conversam com todos … mas, são solitários, pois sua turma aparece e desaparece em um clique. São solitários, mas felizes e infelizes ao mesmo tempo.

Tempo?

Quem entende é Santo Agostinho. Talvez, a Geração Z já seja passado. Ainda bem, pois se o povo Z permanecesse o tempo todo, se fosse um presente sem fim, seria uma Geração monótona, como monótona deve ser a eternidade. Eternidade é “cringe”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Filosofia
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