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Fundamentalismo Religioso

  • por em 26 de abril de 2021

Fundamentalismo é o termo usado para se referir à crença na interpretação literal dos livros sagrados. Fundamentalistas são encontrados entre religiosos diversos e pregam que os dogmas de seus livros sagrados sejam seguidos à risca.

O termo surgiu no começo do século 20 nos Estados Unidos, quando protestantes determinaram que a fé cristã exigia acreditar em tudo que está escrito na Bíblia. Entretanto, o fundamentalismo só começou a preocupar o mundo em 1979, quando a Revolução Islâmica transformou o Irã em um Estado teocrático e que obrigou o país a um retrocesso aos olhos do Ocidente.

Conceitos de Fundamentalismo

Fundamentalismo “é um movimento que objetiva voltar ao que são considerados princípios fundamentais, ou vigentes na fundação do determinado grupo”.

Fundamentalismo islâmico é um termo ocidental utilizado para definir a ideologia política e religiosa fundamentalista que supostamente sustenta o Islã. De origem midiática, este termo define o Islã como, não apenas uma religião, mas um sistema que também governa os imperativos políticos, econômicos, culturais e sociais do estado, quebrando o paradigma de estados laicos, comum nesta parte do planeta.

Importante: Existem fundamentalismo cristão, judaico e de outros tipos: o termo fundamentalismo surgiu com os cristãos e não com os mulçumanos.

Grupos Fundamentalistas Judaicos

Kach Kahane Chai

Objetivo: Restabelecer os territórios judaicos como determina a Torá e expulsar os palestinos da região.
Modo de agir: Atentados terroristas em Israel. Em 1994, Baruch Goldstein, seguidor do Kach, matou 29 palestinos que rezavam na Caverna dos Patriarcas, em Hebron.

Grafite do Kacj Kahane Chai em Hebron, na Palestina.

Neturei Karta

Objetivo: Oposição ao sionismo. O grupo acredita que Israel é obra de Satã e que judeus não devem se envolver em política ou luta armada, só em assuntos espirituais.
Modo de agir: Boicote. Em 1948, quando o Estado de Israel foi criado, o grupo proibiu todos os seus membros de participarem de eleições, recusou subsídios governamentais para suas escolas e jurou que não entraria em nenhuma instituição governamental.

Satmar

Objetivo: Oposição ao sionismo. É um dos maiores grupos ultra ortodoxos existentes hoje. Surgido na Romênia, vê o Estado de Israel como profanação. Acredita que o povo eleito deve sofrer a punição do exílio e não tomar iniciativas para se salvar, confiando na vontade de Deus.
Modo de agir: Encoraja os seguidores a criarem comunidades fora de Israel.

Líderes satmar na Romênia.

Grupos Fundamentalistas Islâmicos

Partido Frente Islâmica de Salvação

Objetivo: Fundar uma república islâmica regida pelas leis do Alcorão na Argélia.
Modo de agir: Política. Em 1991, o partido iria ganhar as eleições, mas o governo interrompeu o processo eleitoral. A medida gerou revolta entre os muçulmanos e uma guerra civil durante toda a década de 1990. Deste conflito, surgiram os grupos fundamentalistas Exército Islâmico da Salvação e Grupo Armado Islâmico.

Al-Gama·a al-Islamiyya

Objetivo: Pela guerra santa, fazer do Egito um Estado islâmico.
Modo de agir: Ataques terroristas, em especial contra turistas. “O turismo é uma praga. As mulheres vêm vestidas em roupas provocativas para despertar o desejo dos fiéis”, disse o líder Omar Abdel Rahman a um jornal israelense em 1993. Em 1997, o grupo matou 58 pessoas que visitavam o templo de Hatshepsut, um dos principais pontos turísticos do país.

Membros da Al-Gama.a no Egito.

Abu Sayyaf

Objetivo: O grupo, ligado à Al Qaeda, quer criar um Estado islâmico nas Filipinas.
Modo de agir: Ataques terroristas. É acusado de ter matado 100 pessoas no ataque a um barco, em fevereiro de 2004. No dia 14 de fevereiro de 2005, dia dos namorados nas Filipinas, 3 atentados à bomba mataram 11 pessoas.

Grupos Fundamentalistas Cristãos

Pró-vida de Anápolis

Objetivo: Combater o aborto em qualquer caso, o homossexualismo e o uso de preservativos.
Modo de agir: Campanhas e lobbies junto a vereadores e deputados. O grupo luta contra ações judiciais que permitem certos tipos de aborto e é reconhecido como entidade de utilidade pública por uma lei municipal de Anápolis em Goiás.

Christian Voice (Voz Cristã)

Objetivo: Analisar os acontecimentos atuais sobre a ótica da Bíblia, unir Igreja e Estado na Inglaterra. “Abençoada é a nação em que Deus é o senhor”, informa o site do grupo.
Modo de agir: Manifestações de oposição à União Europeia e ao divórcio, ataques a clínicas de aborto e promoção da cura de homossexuais.

Universidade Bob Jones

Objetivo: Formar profissionais preparados para seguir Cristo, independentemente da carreira.
Modo de agir: Os estudantes são obrigados a participar de um curso bíblico por semestre. Proíbe namoros entre estudantes de raças diferentes e expulsa alunos homossexuais.

Universidade Bob Jones na Carolina do Sul, EUA.

Mitos sobre o Fundamentalismo:

  1. Todo fundamentalismo é mulçumano e todo mulçumano é fundamentalista.
  2. Todo fundamentalismo é violento.

Grupos fundamentalistas mais violentos da atualidade

Boko Haram (a educação ocidental ou não-islâmica é um pecado)

Local: Norte da Nigéria

Organização fundamentalista islâmica de métodos terroristas, que busca a imposição da Lei Charia no norte da Nigéria.

A Lei Charia é o corpo da lei religiosa islâmica. O termo significa “caminho” ou “rota para a fonte de água”, e é a estrutura legal dentro do qual os aspectos públicos e privados da vida do adepto do islamismo são regulados. A Charia lida com diversos aspectos da vida cotidiana, bem como a política, economia, bancos, negócios, contratos, família, sexualidade, higiene e questões sociais.

Boko Haram na Nigéria.

Ideologia: Oficialmente o Boko Haram alega que luta pela Charia, combate a corrupção do governo, a falta de pudor das mulheres, a prostituição e outros vícios. Segundo eles os culpados por esses males são os cristãos, a cultura ocidental e a tentativa de ensinar algo a mulheres e meninas.

A Charia virou lei no Norte da Nigéria, que tem uma maioria muçulmana.
O sul do país, com a maioria cristã, não aceita a adoção da Charia, reivindicada pelo grupo. Boko Haram é responsável por massacres, ataques a civis e sequestros de mulheres.

Estado Islâmico

Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS) é uma organização jihadista no Oriente Médio. Um califado foi proclamado em 29 de junho de 2014, e o grupo passou a se chamar de Estado Islâmico.

Estado Islâmico no Iraque.

O EIIL afirma autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos do mundo e aspira tomar o controle de muitas outras regiões de maioria islâmica, a começar pelo território da região do Levante, que inclui Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Hatay, uma área no sul da Turquia.

O que significa jihad?

A palavra “jihad” é amplamente utilizada – muitas vezes de maneira imprecisa – por políticos ocidentais e pela mídia.

Em árabe, a palavra significa “esforço” ou “luta”. No islã, isso pode significar a luta interna de um indivíduo contra instintos básicos, o esforço para construir uma boa sociedade muçulmana ou uma guerra pela fé contra os infiéis.

O que significa califado?

A palavra “califado” em árabe significa, literalmente, o processo de escolher um líder (o califa) para mulçumanos ao redor do mundo.

O Estado Islâmico está agora tentando trazer de volta a noção puritana do Islamismo, e se apresentar como líder de todos os mulçumanos.

O grupo obriga as pessoas que vivem nas áreas que controla a se converterem ao islamismo, além de viverem de acordo com a interpretação sunita da religião e sob a Lei Charia (o código de leis islâmico). Aqueles que se recusam podem sofrer torturas e mutilações, ou serem condenados a pena de morte.

Em 2014, foi Auto-proclamado “Estado Islâmico”, com seu Califa (descendente direto de Maomé), falando aos ocidentais: “Se Deus quiser, o califado foi estabelecido e nós vamos invadir vocês como vocês nos invadiram. Nós vamos capturar as suas mulheres como você capturou nossas mulheres. Nós vamos deixar seus filhos órfãos como vocês deixaram órfãos os nossos filhos

Características: estupros, morte de civis, decapitação de crianças, perda de qualquer liberdade, destruição do Patrimônio da Humanidade dentre outros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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