Nikoguru

Israel e Palestina – séculos de conflito

  • por em 19 de maio de 2021

Em 1948, logo após a fim da Segunda Guerra Mundial, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu a criação de dois Estados (ou países). O território era a Palestina, e os dois Estados eram Israel e o Estado Palestino.

Parecia uma decisão salomônica, pois era uma divisão de um território disputado por dois povos. A partilha seria o caminho mais lógico e sensato.

Sensatez não existe na relação entre judeus (Israel) e árabes (Palestina).

A História dessa relação tem muita história. Envolve um passado remotíssimo, perseguições, ódios, religião.

História dos Hebreus

De acordo com as versões religiosa judaica, os hebreus viveram no Egito como um povo submetido a um regime semelhante à escravidão. Isso ocorreu muito tempo antes de Cristo. De acordo com esses relatos, que fazem parte do livro sagrado dos judeus (Torá) e da Bíblia, um líder dos hebreus, chamado de Moisés, libertou seu povo do cativeiro egípcio. Sob o comando de Moisés, os hebreus fugiram do Egito e foram para a Terra Prometida por Deus a eles. Atravessaram áreas desérticas até chegarem ao local. Durante a jornada, Moisés apresentou ao seu povo os Dez Mandamentos, leis que eram influenciadas pelas culturas da Antiguidade, como a egípcia e a mesopotâmica. Este processo de saída do Egito e fuga para a Palestina é chamado de ÊXODO.

Ao chegarem à Terra Prometida, os hebreus encontraram gente lá. Pronto! Eis uma das origens históricas e religiosas para o conflito. Para os hebreus (judeus), a Terra foi destinada a eles por Deus. Para aqueles que lá estavam, aquela terra era deles, os palestinos.

Vale registrar aqui que a região sempre foi marcada por conflitos, principalmente por ser área de passagem. Durante os séculos, a Palestina foi disputada por mesopotâmicos, egípcios, persas, gregos, romanos … Após séculos, os romanos chegaram e dominaram a Palestina, incorporada ao Império Romano. Quando Cristo nasceu (início da Era Cristã), toda a região pertencia a Roma.

Cristo era hebreu, mas não foi aceito por todos os hebreus como o Messias. Aqueles que aceitaram Cristo originaram o Cristianismo. Os que rejeitaram Cristo permaneceram à espera do Messias (são os hebreus ou judeus). Judeus e Cristãos compartilham o Velho Testamento. O Novo Testamento tem início a partir de Cristo.

No ano 70 d.C, os romanos expulsaram os judeus da Palestina, fato conhecido como DIÁSPORA. Após sitiarem Jerusalém, a capital dos hebreus, os romanos baniram os hebreus da região. Expulsos, os hebreus dispersaram-se pelo mundo, mas mantiveram suas crenças, costumes, tradição, língua, religião e, principalmente, a unidade cultural vinculada à Terra Prometida, para onde um dia voltariam.

Jerusalém: centro das religiões judaica, cristã e islâmica.

A Europa romana, aos poucos, ficava cristã. No século IV da nossa era, o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano. Em 476, o Império Romano do Ocidente chegava ao fim, mas a religião cristã permanecia, agora, sob o comando a Igreja Católica Romana, mais poderosa instituição da Idade Média que se iniciava.

Sionismo

O domínio cristão implicou severa perseguição aos judeus (hebreus) que viviam na Europa em comunidades tipicamente apátridas. Acusados de serem os responsáveis pela morte de Cristo e por não aceitarem o Salvador, os judeus foram sistematicamente perseguidos, discriminados e sujeitos a todo o tipo de humilhação.

No final do século XIX, Theodor Herzl (1860 – 1904), iniciou um movimento político e nacionalista chamado de SIONISMO. Herzl defendia o retorno do povo judeu à Terra Prometida (Israel) de onde foram expulsos. Na época, o sionismo ganhou forte adesão nos territórios central e leste da Europa, locais onde havia maior perseguição aos judeus. O sionismo defendia o direito à autodeterminação do povo judeus e a existência de um Estado nacional judaico onde havia o antigo Reino de Israel (Palestina). Estimulados por este movimento, muitos judeus do mundo inteiro emigraram para a Palestina (que era habitada por palestinos).

Durante os horrores do nazismo, os judeus foram vítimas do holocausto. O antissemitismo nazista foi implacável e pretendia eliminar os judeus da face da Terra. Campos de concentração foram construídos para exterminar judeus e outros povos considerados inferiores aos arianos.

Campo de Auschwitz: os horrores da Segunda Guerra Mundial levaram milhares de judeus a migrarem para a Palestina.

A fuga para a Palestina, é claro, cresceu muito. Fugindo das perseguições nazistas, milhares de judeus foram para a Palestina. Na época, o território estava sob jurisdição britânica. Terminada a Segunda Guerra Mundial, a ONU assumiu a tutela da Palestina e decidiu dividir o território em dois Estados, como vimos no inicio deste artigo. Os judeus ficaram com o Estado de Israel. Os palestinos, com o Estado da Palestina. Jerusalém, cidade considerada sagrada por judeus e palestinos, foi elevada ao status de cidade internacional. Salomão, rei de Israel e filho de David, teria aprovado, talvez, a decisão da ONU. Afinal, Salomão foi considerado um rei sábio e sensato.

A formação do Estado de Israel

No dia 14 de maio de 1948, foi proclamado o Estado de Israel, mas sem Salomão. Os palestinos, apoiados pelos vizinhos árabes, rejeitaram a divisão, uma vez que consideravam a Palestina a sua terra – inteira e não pela metade. Egito, Síria, Jordânia, Arábia Saudita e outros países vizinhos, aliados da causa palestina, juntaram-se na luta contra o inimigo que agora era comum: Israel.

Soldados egípcios atravessando a fronteira de Israel.

Os conflitos, cada vez mais violentos, começaram e são conhecidos como Guerras árabes-israelenses. Israel venceu todas, entre as quais, as guerras dos Seis Dias (1967) e do Yom Kippur (1973). Ao vencer os palestinos e seus aliados árabes, Israel conquistou territórios. Tomos a Palestina, o Sinai, as colinas de Golã, o Sul do Líbano … e Jerusalém inteira.

Palestinos x Judeus

As reações palestinas intensificaram-se. Foi criada a Organização para a Libertação da Palestina – OLP – , em 1964, a fim de lutar pela causa dos palestinos. Apesar de ter vencido todas as guerras, Israel nunca conquistou a paz.

A região era um barril de pólvora.

No ano de 1987, foi criado o HAMAS, movimento de resistência islâmica contra Israel e mais radical que a OLP.

HAMAS – grupo radical palestino pela destruição de Israel.

Após muitas idas e vindas e alguns esforços para algum tipo de entendimento, em 1993, foi assinado o histórico Acordo de Oslo. Israel devolvia a Faixa de Gaza e a Cisjordânia para a Autoridade Palestina (um estado semiautônomo). Em contrapartida, a OLP desistiria da luta armada contra Israel.

Os fundamentalistas judeus e palestinos não aceitam acordos. E, periodicamente, quebram e rompem acordos de paz, como está ocorrendo neste momento, maio de 2021.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments