Nikoguru

Revolução Verde

  • Nikoguru
  • por em 16 de abril de 2021

Revolução Verde representa um conjunto de inovações tecnológicas que têm o intuito de melhorar as práticas agrícolas.

O primeiro país a aplicar o conceito foi o México e seu uso espalhou por vários países, que aumentaram significativamente sua produção de alimentos.

O que foi?

A Revolução Verde tem sua origem após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) quando a fome era um problema real em países da África subsaariana e da Ásia meridional. A Revolução consistiu em usar a melhor tecnologia para produzir mais alimentos no mesmo espaço de terra. Deste modo, se desenvolveram sementes de plantas geneticamente modificadas que produziam mais, tinham melhor resposta a fertilizantes e maior resistência a pragas.

Uso de agrotóxicos em plantação de arroz.

Além disso, tratou-se aplicar os métodos modernos de gerenciamento das fábricas ao campo. Para isso, se começou a pesquisar a melhor forma de equalizar as limitações do terreno, como falta de irrigação, maior desempenho de implementos agrícolas como plantadeiras e colheitadeiras Todas estas ações já eram utilizadas pelos agricultores ao longo da História da humanidade. No entanto, agora são atitudes próprias de uma sociedade industrial e capitalista.

Uma breve histórico

O mentor da Revolução Verde foi o agrônomo norte-americano Norman Borlaug (1914-2009). Na década de 30, Borlaug começou a pesquisar variedades de trigo resistentes à pragas e doenças.

Os estudos de Borlaug atraíram a atenção do governo mexicano que o chamaram para coordenar, em 1944, o Programa de Produção Cooperativa de Trigo do México. Os trabalhos foram desenvolvidos em parceria com a americana Fundação Rockefeller. O programa aplicado no México resultou em plantas com maior desempenho no campo. Desta maneira, fizeram o país, antes importador, autossuficiente na produção de trigo.

No período de 1950 a 1960, outros países passaram a adotar o conceito de maior produtividade no campo aplicando sementes transgênicas. Os governos do Brasil, Índia, Paquistão e Filipinas estão entre os que adotaram o método de Borlaug. Em 1968, o presidente da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, William Gaud, classificou as novas técnicas do campo como a “revolução verde”.

De fato, Borlaug recebeu ao Prêmio Nobel da Paz em 1970, por suas contribuições para redução da fome mundial. Os países desenvolvidos também aplicaram o sistema agrícola criado por Borlaug e reduziram a dependência da importação de alimentos. Podemos citar os Estados Unidos, que passaram a exportar trigo a partir de 1960. O conceito foi aplicado a outros produtos e a busca pela maior produtividade passou a balizar a agricultura.

O desenvolvimento de técnicas para irrigar o solo melhorou o desempenho agrícola, antes refém do regime de chuvas. A irrigação também contribuiu para aperfeiçoar o uso de fertilizantes, fungicidas e pesticidas. A melhoria na relação de produtividade beneficiou diretamente países pobres, como a Índia, que passou a exportar arroz.

Para se fazer uma ideia, em 1964, a Índia produziu 9.8 milhões de toneladas de trigo. Em 1969, a produção alcançou 18 milhões de toneladas. O Paquistão viu sua produção de grãos crescer de quatro para sete milhões de toneladas neste mesmo período.

Revolução Verde no Brasil

O perfil da agricultura brasileira mudou completamente após a adoção das práticas características da revolução verde. A introdução dos novos conceitos ocorreu durante o regime militar e foi um dos pilares
do chamado “milagre econômico”.

Campo de soja no Mato Grosso, região Centro-Oeste do Brasil.

A partir da produção em larga escala, o país passou à condição de exportador de alimentos. Entre os produtos de grande desempenho estão a soja e o milho. Com a matriz agrícola voltada para as vendas externas, o Brasil instituiu agências de fomento e pesquisa. Entre as agências abertas nesse período está a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), fundada em 1973.

Pesquisa realizada sobre telados para o trigo pela Embrapa em Passo Fundo, RS.

Atualmente, o Brasil tem uma das maiores agroindústrias do mundo.

Pontos positivos e negativos

A eficiência no campo, o avanço na produção, a pesquisa e o barateamento de alimentos são apontadas como as principais vantagens do conceito da revolução verde.

Como desvantagens podemos citar:

  • Esgotamento do solo;
  • Erosão;
  • Alteração do ecossistema para a implantação da lavoura;
  • Desmatamento;
  • Dependência das grandes indústrias e tecnologias que produzem as sementes transgênicas, fertilizantes e agrotóxico;
  • Priorização à estrutura latifundiária, prejudicando a produção familiar e orgânicos. Estimulando o êxodo rural.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.