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A Revolução Francesa – 14 de julho de 1789

Revolução é um movimento que quebra e cria novos paradigmas. A Revolução pode ser violenta, pacífica, cultural, econômica, social, enfim, pode ser tudo ao mesmo tempo. Mas, fundamentalmente, quebra padrões. Modifica profundamente a sociedade e aponta novos rumos para a vida humana.

Foi o que aconteceu com a França em 1789 e, por tabela, com o mundo.

A França no Antigo Regime

A sociedade francesa era estamental e hierarquizada, ou seja, o clero católico e a nobreza, primeiro e segundo estados respectivamente, possuíam diversos privilégios, entre os quais, o não pagamento de impostos. O resto da população – 90% dos franceses – compunha o terceiro estado e este pagava impostos e sustentava os demais estados. Camponeses, servos, “sans-culotes” e a burguesia faziam parte do terceiro estado. Era o povo.

Caricatura do período, mostrando os privilégios do clero e a nobreza em relação a população em geral.

O rei Luís XVI, soberano absolutista, governava o país no estilo de seu famoso ancestral, Luís XIV, que afirmara “O Estado sou eu.” Estado, em fins do século XVIII, que encontrava-se com as finanças em colapso, em razão de guerras desastrosas e do apoio militar francês à independência dos Estados Unidos.

A fome atingia grande parte da população. Más colheitas sucessivas provocaram a alta do preço do trigo, base da alimentação do povo.

O Iluminismo, movimento filosófico, estava em efervescência e seus intelectuais condenavam a sociedade estamental, a intolerância e o regime absolutista. Os iluministas forneciam o embasamento ideológico que a Revolução iria precisar.

A Convocação dos Estados Gerais

O caldo estava prestes a entornar, pois diante da situação catastrófica vivenciada pelo estado, o rei convocou o parlamento, chamado de Estados Gerais, fato que não ocorria há décadas. Deputados do 1º, 2º e 3º estados foram eleitos com a missão de resolver a situação financeira do pais. A proposta do 3º estado era a mais óbvia possível: cobrar impostos do clero e da nobreza, que estes de imediato rejeitaram. Sem solução e diante dos tumultos dentro dos Estados Gerais, o rei mandou fechar o parlamento. Os deputados do 3º estado reagiram e se mantiveram em Assembleia.

Estados Gerais – sem acordo pelo fim dos privilégios.

A queda da Bastilha e a Nova Ordem

Logo em seguida, em apoio aos deputados do 3º, o povo tomou a Bastilha. Era o dia 14 de julho de 1789. Começava a Revolução. Furiosos, os populares invadiram a horrenda Bastilha, símbolo do Antigo Regime, enfrentaram os tiros dos soldados, capturaram e lincharam o comandante, cuja cabeça foi cortada e exposta para todos. Foi a primeira cabeça que rolou … Em pouco tempo a Bastilha foi derrubada, pedra por pedra. Destruir a Bastilha era destruir a antiga ordem.

Queda da Bastilha em 14 de julho – início do fim do Antigo Regime.

O poder, aos poucos e de forma violenta, passou para os membros do 3º estado, que agora constituíam a Assembleia Nacional que, em agosto de 1789, promulgou a “Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão”, cujos artigos iniciais diziam:

Art.1.º Os Homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum;

Art. 2.º A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do Homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão;

Art. 3.º O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, na nação. Nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.

Uma nova era estava surgindo. Em pouco tempo foi proclamada a República, abolidos os privilégios do clero e da nobreza, instituída a igualdade civil e varrido o absolutismo do pais. No dia 21 de janeiro de 1793, às 10h20, a guilhotina – navalha nacional – foi acionada para executar Luís XVI. No mesmo ano, no dia 16 de outubro, às 12h15, a rainha Maria Antonieta também foi executada.

Quatro anos depois: o rei Luís XVI perde a cabeça na guilhotina.

Revolta ou revolução?

Um relato da época informa sobre uma conversa entre Luís XVI e o duque de Liancourt quando o rei fora informado sobre a tomada da Bastilha.

“É uma revolta?” Perguntou o rei.

“Não, majestade, é uma revolução”. Respondeu o duque.

O duque estava correto. Era uma Revolução.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
História

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Gustavo

Newton, bom texto. Só uma ressalva: não sei qual sua formação, mas a primeira imagem que você colocou nessa matéria (uma mulher seminua segurando a bandeira da França) não é da Revolução Francesa. Ela tem o nome de ”A liberdade guiando o povo” e é datada de 1830, ano em que a Revolução Francesa já tinha terminado. Foi pintada por Delacroix devido à deposição de Carlos X, em alusão à Revolução de 1830.