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A Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte e a Veuve Clicquot

  • por em 9 de junho de 2021

As Revoluções e as Guerras atrapalham os negócios e infernizam a vida das classes burguesas, ao contrario do que muita gente pensa. A economia de mercado fui muito melhor em tempos de paz. No final da Idade Média houve uma relativa paz na Europa Ocidental e, por isso, as rotas e feiras mercantis se multiplicaram. A vida urbana floresceu e a classe burguesa emergiu com prosperidade. A mentalidade capitalista se afirmava na época, o ideal de prosperidade ganhava adesão inclusive dos protestantes calvinistas que balançaram a Europa no século XVI. A prosperidade adquirida pelo trabalho era um sinal da predestinação à salvação, dizia João Calvino. Como afirmou Max Weber, o calvinismo criou uma ética religiosa favorável aos valares da burguesia: prosperidade passou a ser uma virtude. A pobreza, um vicio.

Os burgueses que escaparam da guilhotina

Então, vamos à França nos finais do século XVIII, especificamente à cidade de Reims, na qual dois empresários, Clicquot e Ponsardin, conseguiram ficar praticamente incólumes durante a violenta Revolução Francesa que guilhotinou muita gente, inclusive da burguesia. Em 1798, na fase final da Revolução, conhecida como Diretório, os dois empresários casaram seus filhos François Clicquot com Barbe-Nicole Ponsardin, com o intuito de juntar as fortunas e as empresas. Os negócios atingiam vários setores, do têxtil ao vinícola, sendo este o ramo que atraía François e sua jovem esposa, Barbe-Nicole.

Em 1799, Napoleão Bonaparte tornou-se Cônsul único e, em 1805, foi autocoroado Imperador da França. Neste mesmo ano, Barbe-Nicole ficou viúva. François, acometido por uma febre, morreu em 12 dias.

A Viúva e o Champagne

Viúva e jovem, Barbe-Nicole continuou o negócio da vinícola do marido, aperfeiçoando a produção do Champagne. Ela conseguiu um feito revolucionário talvez mais duradouro que a própria Revolução Francesa. Barbe-Nicole inventou um processo para eliminar os restos da fermentação, denominado de remuage. As garrafas são colocadas em placas de madeira, de cabeça pra baixo e inclinadas. Os restos do fermento descem e “colam” na tampa.

Técnica criada pela jovem viúva Clicquot: revolução na fabricação do espumante.

O transtorno chamado Napoleão

As Guerras Napoleônicas transtornaram o comércio europeu e quase levaram à falência os negócios da Viúva Clicquot. Em guerra contra quase todas as nações importantes da Europa, Napoleão decretou, em 1806, o Bloqueio Continental, impedindo relações comerciais entre a Europa e a Inglaterra, inimiga número 1 da França. Pouco tempo depois, tropas napoleônicas invadiram Portugal, acusado de não respeitar o Bloqueio francês. Em fuga, a Família Real portuguesa veio parar no Brasil. A Rússia, também foi invadida, sob idêntica acusação. Invadir Portugal foi fácil. Invadir a Rússia não foi um bom negócio para o exército napoleônico. Em 1812, os soldados franceses encaram a mais dramática derrota. Foram vencidos pelos tenazes e enfurecidos cossacos russos e seu principal aliado, o inverno rigoroso.

Hussardos franceses durante as guerras napoleônicas.

A derrota napoleônica e viva o Veuve Clicquot

Pouco depois, em 1815, Napoleão era definitivamente derrotado em Waterloo. A paz trouxe de volta as rotas comerciais. Em pouco tempo, o Champagne da Viúva Clicquot – Veuve Clicquot – abastecia os sedentos russos. Correu a notícia que o Czar dissera que o Veuve Clicquot era o único Champagne que ele bebia. Pronto. Sucesso imediato. A produção da vinícola de Reims não dava conta dos pedidos. Milionária ficou a Viúva Clicquot. O rótulo de seu Champagne era símbolo de sofisticação, bom gosto e prazer. Era para poucos, os que tinha dinheiro para saborear o Veuve Clicquot, cuja garrafa, atualmente, pode chegar a custar 250 euros. Um brinde à paz e aos bons negócios.

Viúva Clicquot conseguiu onde Napoleão fracassou: conquistou os russos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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