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Brasil, empresa mercantil de Portugal

  • por em 11 de junho de 2021

A colonização do Brasil foi um empreendimento comercial, por isso, é fundamental saber que a Coroa portuguesa entendia o Brasil como uma empresa que deveria fornecer lucros.

Nessa linha de raciocínio, compreendemos a implementação do pacto ou exclusivo colonial, que era o instrumento de controle que a Metrópole usava para garantir a exploração da Colônia – Brasil.

Como empresa mercantil de Portugal, o Brasil:

  • não poderia competir com a economia portuguesa;
  • era obrigado complementar a economia da Metrópole;
  • deveria ser exclusividade, ou seja, não poderia ter comércio com outra nações a não ser Portugal e suas colônias;
  • era subordinado politicamente à Metrópole.

O pacto ou exclusivo colonial

As atividades econômicas desenvolvidas na Colônia, portanto, serão subordinadas às ambições da Coroa e, claro, da burguesia lusitana. O governo lucrava, principalmente com os impostos gerados. A classe mercantil (burguesia), por sua vez, lucrava com a compra e venda de uma infinidade de artigos.

Em síntese, as relações entre o Brasil e Portugal obedeciam ao seguinte esquema:

A principal atividade econômica do período colonial foi a agromanufatura açucareira. Nos idos de 1516, surgia o primeiro engenho de cana em Pernambuco, na feitoria de Itamaracá. O açúcar era um artigo de grande valor comercial e muito cobiçado pelo mercado europeu. Os portugueses conheciam as técnicas de produção do açúcar e de plantação da cana. As condições geoclimáticas no Brasil eram muito boas, sendo que havia disponibilidade de terras, uma vez que os interessados poderiam receber em doação as Sesmarias – grandes extensões de terra. Além disso, a questão da mão de obra foi solucionada com o trabalho escravo – indígena ou africano.

O engenho era uma plantation

O engenho, fazenda que cultivava a cana e manufaturava o açúcar era uma plantation, principal unidade produtora do Brasil colonial escravista. Em torno do engenho se constituiu a sociedade colonial, fundada no patriarcalismo e na dicotomia senhor x escravo.

Mineração em Minas Gerais.

As demais atividades econômicas vão se desenvolver, entre as quais, o tráfico negreiro, as lavouras de tabaco e algodão, a pecuária, o bandeirismo, a extração de drogas do sertão e, a partir do fim do século XVII, a mineração aurífera. O ouro provocou uma corrida em direção às Minas Gerais. Em meados do século XVIII a região mineratória concentrava 1/5 da população. Em 1763, a Coroa transferiu a capital da Colônia para o Rio de Janeiro, a fim de manter as ricas minas sob controle mais rigoroso.

Liberdade ainda que tardia

Em 1785, Alvará de D. Maria I proibiu a fabricação de tecidos finos no Brasil, sob a alegação de que a produção têxtil na Colônia retiraria trabalhadores das lavouras e das minas, atividades que a Coroa considerava fundamentais. É claro que houve indignação colonial com tal medida e, poucos anos depois, eclodiria a Inconfidência Mineira, cujos membros desejavam a emancipação e a república.

A violenta repressão aos inconfidentes, a execução e o esquartejamento de Tiradentes mostraram que, em fins do século XVIII, a Coroa não brincava em serviço. A exploração do Brasil permaneceria a ferro e a fogo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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claudio

História sem pé sem cabeça, como as narrativas da tv globo