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De nabos à abóboras macabras: a origem do Halloween

  • por em 28 de outubro de 2021

No próximo domingo (31/10) é comemorado o Dia das Bruxas ou Halloween. Nesse dia há uma celebração que acontece em vários países, principalmente no mundo de língua inglesa, na véspera da festa cristã do Dia de Todos os Santos. Um dos símbolos onipresentes na festa são as lanternas de abóboras. Entretanto, no século 19 e no início do século 20, transformar sorrisos macabros em nabos era a prática mais comum nos países britânicos de origem celta. Mas de onde surgiu essa tradição?

Festival pagão celta

A tradição assustadora fazia parte do Samhain , um antigo festival pagão que marcava o fim do verão e o início do novo ano celta e o longo inverno que se aproximava (Samhain significa “fim do verão” em gaélico).

Iniciando ao pôr do sol em 31 de outubro e continuando até 1º de novembro, Samhain deu início à transição do equinócio de outono para o solstício de inverno. Durante aqueles dois dias, os antigos celtas acreditavam que o véu entre a vida e a morte estava no seu limite, permitindo que os espíritos vagassem livremente entre os dois mundos.

Stingy Jack e outras criaturas sobrenaturais podem ser encontradas no Dia de Halloween.

Os celtas se aproximaram desse ponto de transição com expectativa e pavor, temendo que, sem saber, cruzassem o caminho com fadas, monstros ou espíritos ancestrais. Uma entidade particularmente ameaçadora foi “Stingy Jack”, que por ter “enganado o diabo” e levado uma vida promíscua, foi banido do céu e o inferno, sendo forçado a “vagar pela Terra por toda a eternidade” com uma lanterna.

Os nabos assustadores

Para proteção contra Stingy Jack e outras aparições, as pessoas nas Ilhas Britânicas começaram a esculpir rostos em pedaços de produtos – especialmente nabos, mas em alguns casos batatas, rabanetes e beterrabas. A população colocavam velas acesas dentro das cavidades, semelhantes às abóboras do Halloween moderno. Eles acreditavam que deixar as esculturas assustadoras do lado de fora de suas casas ou carregá-las como lanternas, os protegeria do perigo.

As pessoas acreditavam que, na noite de Halloween, os espíritos dos mortos ficariam no limbo e poderiam tentar voltar para suas antigas casas. Máscaras fantasmagóricas como essas eram usadas para assustar os vizinhos. Fonte: Museu Nacional da Irlanda.

Como lanternas de metal eram muito caras, as pessoas utilizavam as raízes para fabricá-las. Com o tempo e ganhando mais habilidade, as lanternas começaram a ficar mais sofisticadas com rostos e formatos para permitir que a luz brilhasse através dos orifícios sem extinguir a brasa.

Doces ou travessuras

Entalhes em vegetais de raiz eram apenas um aspecto do Samhain. Os foliões também faziam fogueiras e usavam comida e bebida como oferenda, caso encontrassem algo sobrenatural à espreita na noite. Daí veio a frase “doces ou travessuras” da sua celebração nos Estados Unidos. Vestir-se com fantasias era uma prática comum durante esse evento, pressagiando a tradição no uso de fantasias dos dias atuais. Além disso, os sacerdotes celtas (druidas) praticavam rituais de adivinhação e conduziam ritos para manter os espíritos afastados, muitas dessas práticas permanecem envoltas em mistério.

Ao longo dos séculos, o Samhain se transformou no que agora é chamado de Halloween. Mas a prática de esculpir lanternas de abóbora, embora de um jeito ligeiramente diferente, permaneceu – e continua sendo uma parte icônica desse feriado de outono.

O Halloween é um dos poucos festivais do ano que ainda é praticado da mesma forma que foi por gerações. Antes da eletricidade, o campo era um lugar escuro, o que o tornava muito mais assustador.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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