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Entendendo a Guerra Fria

  • por em 27 de abril de 2021

Guerra Fria é a denominação dada ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos (EUA) e a União Soviética (URSS – atual Rússia), compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991). O conflito era de ordem política, militar, tecnológica, econômica, social e ideológica entre as duas nações e suas zonas de influência. É chamada “fria” porque não houve uma guerra direta entre as duas superpotências, dada a impossibilidade de vitória em um conflito nuclear.

A corrida armamentista pela construção de um grande arsenal de armas nucleares foi o objetivo central durante a primeira metade da Guerra Fria, estabilizando-se da década de 1960 até à década de 1970 e sendo reativada nos anos 1980 com o projeto “Guerra nas Estrelas” do presidente norte-americana Ronald Reagan.

Capa da revista Time em 1983: o presidente norte-americano Ronald Reagan pretendia criar uma rede de satélites de defesa na órbita da Terra.

Parte dos historiadores argumentam que a guerra fria foi uma disputa dos países que apoiavam as Liberdades civis, como a liberdade de opinião e de expressão e de voto, representada pelos Estados Unidos e outros países ocidentais e do outro lado a doutrina comunista ateia, defendida por regimes que perseguiram as religiões onde era suprimida a possibilidade de eleger e de discordar, defendida pela União Soviética e outros países onde o comunismo fora imposto por ela. Outros defendem que esta foi uma disputa entre o capitalismo, que patrocinou regimes ditatoriais na América Latina, representado pelos Estados Unidos, e o socialismo totalitário expansionista ou socialismo de Estado, onde fora suprimida a propriedade privada, defendido pela União Soviética e China. Entretanto, esta caracterização só pode ser considerada válida apenas para o período pós-Segunda Guerra Mundial, até a década de 1950. Já nos anos 1960, o bloco socialista se dividiu e durante as décadas de 1970 e 1980, a China comunista se aliou aos Estados Unidos na disputa contra a União Soviética. Além disso, muitas das disputas regionais envolveram Estados capitalistas, como os Estados Unidos, contra diversas potências locais nacionalistas.

Ilustração de questão no vestibular da UERJ representando a visão do mundo a partir do governo norte-americano na década de 1980.

Dada a impossibilidade da resolução através do confronto direto – devido ao arsenal nuclear, as duas superpotências passaram a disputar poder de influência política, econômica e ideológica em todo o mundo. Este processo se caracterizou pelo envolvimento dos EUA e URSS em diversas guerras regionais, onde cada potência apoiava um dos lados em guerra. Os dois países não apenas financiavam lados opostos no confronto, disputando influência político-ideológica, mas também para mostrar o seu poder de fogo e reforçar as alianças regionais.

Se um governo socialista fosse implantado em algum país do Terceiro Mundo, o governo norte-americano entendia como uma ameaça à sua hegemonia. Caso surgisse um movimento popular combatesse um governo aliado ao soviético, logo poderia ser visto com simpatia pelos Estados Unidos e receber apoio financeiro e militar, sendo que o oposto também ocorria no lado soviético. A Guerra da Coreia (1950-1953), a Guerra do Vietnã (1962-1975) e a Guerra do Afeganistão (1979–1989) são os conflitos mais conhecidos da Guerra Fria. Vale destacar o bloqueio e a crise dos mísseis em Cuba (1962), quando a União Soviética tentou implantar bases de mísseis nucleares na ilha.

Guerra do Vietnã: sul apoiado pelos EUA e norte apoiados pela URSS e China.

Apesar a tendência de alinhamento a uma das duas ideologias, houve um movimento de países não vinculados a nenhum desses grupos, que mantiveram-se fora do conflito formando um “terceiro bloco” de países neutros: o Movimento Não Alinhado (MNA). O objetivo foi de criar um caminho independente no campo das relações internacionais que permita aos membros não se envolver no confronto entre as grandes potências. Alguns países não alinhados importantes: Egito, Índia e África do Sul.

Desfile com mísseis nucleares na antiga União Soviética. Capacidade de destruir a Terra centenas de vezes com o arsenal de apenas um dos países.

Ao contrário do mundo atual, onde a principal característica é a globalização, o período da guerra fria era um mundo bipolar entre as duas superpotências: EUA – capitalista e a URSS – socialista. Apesar de terem existido outras potências regionais entre 1945 e 1991, apenas Estados Unidos e URSS tinham capacidade nuclear de segundo ataque, ou seja, capacidade de dissuasão nuclear, mesmo que isso provavelmente causaria o fim da humanidade e do mundo que conhecemos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.