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O Iluminismo e as cabeças que rolaram

  • por em 27 de maio de 2021

A França, no século XVIII, era a mais esplendorosa nação europeia. Vitrine de tudo o que os europeus copiavam e admiravam. Dentro do magnifico de Versalhes, a dinastia de Bourbon brilhava e consagrava o Absolutismo monárquico como o regime político avalizado por Deus. A nobreza parasitária vivia no luxo desmedido.

A sociedade francesa do séc. XVIII

Na época, a sociedade era estamental. O clero e a nobreza compunham, respectivamente, o 1º e o 2º estados, ou seja, os setores privilegiados. O não pagamento de impostos era um destes privilégios. A maioria da população, mais de 90%, constituía o 3º estado. Burguesia, camponeses, servos, sans-cullotes, artesãos etc. Quem não fazia parte do 1º e do 2º estados era o povo.

A Igreja Católica era poderosa e influente, sendo que a religião consolidava o status quo do regime absolutista e da sociedade estamental. 

No absolutismo, o poder era centralizado nas mãos do soberano. No caso francês, prevalecia a tese do direito divino dos reis. O poder real era o instrumento da vontade de Deus.

Charge representando a sociedade francesa do séc. XVIII: mostrando o 1º e 2º estados (nobreza e clero) sendo carregados pelo 3º estado (povo).

A economia francesa destacava-se pelas manufaturas de luxo, cobiçadas pelos Velho e Novo Mundo. Tudo o que era bonito e de luxo, era francês. Tecidos, móveis, roupas, perucas, bebidas, perfumes, objetos de adorno, enfim, um sem número de produtos. 

A cultura francesa era o modelo a ser seguido por todos. Falar francês era um sinal de boa posição social. Falava-se francês nas rodas chiques em todos os países. Até os inimigos falavam o francês. 

As ideias do Iluminismo

Entretanto, por baixo da calmaria do Antigo Regime fervilhavam ideias. Era o Iluminismo. Filósofos apareciam em todos os cantos e salões. Panfletos eram redigidos, debates cada vez mais acalorados ecoavam em Paris e nos arredores.

O Iluminismo foi um movimento filosófico que encontrou na França o seu apogeu.

Os expoentes deste movimento criticavam a sociedade estamental e o regime absolutista. Os iluministas defendiam uma nova ordem fundamentada nos seguintes valores:

  • Os homens possuem direitos inalienáveis, entre os quais, a vida, a liberdade e a igualdade;
  • O poder deve residir no povo e ser exercido por seus representantes;
  • A razão e a ciência devem guiar os homens na direção da sabedoria e da verdade;
  • O estado deve ser baseado nas leis feitas pelos representantes da nação, como a Constituição;
  • A tolerância e a liberdade de expressão devem ser garantidas a todos;
  • O estado deve ser laico, ou seja, desvinculado da religião.

Aos poucos, os  iluministas ganhavam adeptos e corroíam as bases do Antigo Regime Francês. No Palácio de Versalhes, a nobreza e a realeza realizam bailes e banquetes cada vez mais luxuosos.

O fim do absolutismo

No final do século XVIII, no reinado de Luís XVI, uma grave crise econômica atingiu a França. Colapso financeiro do estado, más colheitas, carestia. A fome grassava por todo o país. Um boato se espalhara aumentava o ódio do povo em relação aos setores privilegiados. Diziam que a rainha Maria Antonieta havia falado que “se o povo não tinha pão, que comesse brioches”. Entretanto, para o povo faminto e furioso com aquele quadro injusto, o boato bastava.

Fim do absolutismo francês: execução do rei na guilhotina. Essa seria uma das muitas cabeças que rolariam no período.

O Iluminismo foi o combustível ideológico que alimentou as ações do Terceiro Estado na Revolução Francesa de 1789.

É bem provável que Maria Antonieta nada tenha falado sobre o pão, conforme afirmam os historiadores. Mas, as cabeças do rei e da rainha foram decepadas pela guilhotina, em 1793. Isto é fato, não é boato.

Os valores iluministas são, na atualidade, os fundamentos que norteiam a sociedade e os regimes políticos,  entre os quais, o estado de direito, a laicização, a igualdade civil e a liberdade de expressão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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História