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O imperialismo e a Primeira Guerra Mundial

  • por em 15 de junho de 2021

O custo humano da Primeira Guerra Mundial: 20 milhões de pessoas morreram diretamente em função da Guerra.

A Primeira Guerra foi a primeira guerra industrial do mundo. Uma guerra simbolizada pela metralhadora, uma arma que mata em escala industrial. Mata em grande escala, como as indústrias fabricavam produtos.

O que é o Imperialismo

O que motivou a Primeira Guerra? Uma série de fatores, é claro, mas a causa principal foi o imperialismo.

O que foi o imperialismo? O imperialismo significa a ação de conquista exercida por uma potência sobre outros países, povos ou territórios. A partir de 1750, vários países tornaram industrializados. Inglaterra em primeiro lugar, mas outras nações se seguiram: França, Alemanha, Bélgica, Estados Unidos, Japão, Rússia etc.

Guerra Anglo-Zulu, exemplo da dominação inglesa em extensos territórios na África.

Da mesma forma que as indústrias necessitam de mercados consumidores, mão de obra barata e matérias primas, os países industrializados também precisam. Por isso, a industrialização gerou uma corrida entre as potências. O mundo inteiro virou alvo da cobiça destas nações ávidas. Mas, o mundo é um só. Os espaços não são suficientes para a ambição das nações industrializadas. A disputa imperialista foi acompanhada, portanto, de uma animosidade crescente entre essas potências. Na África e na Ásia, o imperialismo foi denominado de neocolonialismo.

A divisão da África

Em 1885, foi celebrada a Conferência de Berlim, na qual diversas potências europeias , além dos Estados Unidos, definiram a divisão da África entre si. Inglaterra, França, Itália, Portugal, Espanha e Alemanha estabeleceram as fronteiras de suas colônias no continente africano. Etiópia e Libéria ficaram fora da partilha, mas não ficaram livres de algum tipo de domínio estrangeiro. As fronteiras tradicionais africanas não foram respeitadas. Sob a “mito da missão civilizadora”, os europeus assaltaram a África, transformada em um negócio fornecedor de muitos lucros aos exploradores.

Pouco tempo depois, em 1904, eclodiu a Crise do Marrocos. França, Inglaterra, Espanha e Alemanha disputavam o controle do território marroquino, país governado por um Sultão islâmico que, na verdade, era um testa de ferro dos franceses. A crise, solucionada por um acordo diplomático, quase levou a uma Guerra, pois o império alemão ameaçou invadir o Marrocos para fazer valer seus interesses naquela região africana. Para muitos historiadores, a Primeira Guerra poderia ter ocorrido naquele momento. O nível de tensão internacional foi altíssimo na ocasião e o cheiro de pólvora estava no ar.

A partilha da China

Na Ásia, o imperialismo assaltou a China, mas de forma peculiar. A China não foi de ninguém, foi de todos ao mesmo tempo. O território chinês foi dividido em áreas de influência sob domínio das principais potências imperialistas. Em meados do século XIX, os ingleses esmagaram os chineses na Guerra do Ópio. Derrotada, a China teve que ceder Hong Kong para a Inglaterra.

Soldados das principais potências imperialistas na China durante a Revolta dos Boxers em 1900. Em 14 anos, eles iriam iniciar duas guerras mundiais com dezenas de milhões de mortos.

A rivalidade entre franceses, ingleses e alemães pelo domínio do mundo

A Ferrovia Berlim Bagdá, era um empreendimento que pretendia fornecer aos alemães o acesso ao Oriente sem depender do Canal de Suez, controlado pelos ingleses. Projetada no início do século XX, a Ferrovia foi causadora de discórdias, uma vez que ingleses e franceses temiam a expansão germânica. A tensão internacional era acompanhada por uma corrida armamentista. Do mesmo modo que as fábricas produziam artigos de consumo, como tecidos e ferramentas, produziam armas. A questão é que a indústria produzia armas em grande escala. Armas para matar em grande escala.

A rivalidade anglo-germânica era agravada pelo crescimento do império alemão. Após a Unificação (1871), a Alemanha tomou mercados ingleses e o relacionamento entre as duas potências era explosivo.

O revanchismo francês em relação à Alemanha também alimentava a tensão europeia. Desde que perdeu a Alsácia-Lorena para os alemães, na Guerra Franco-Prussiana (1871), os franceses nutriam um sentimento de vingança contra a Alemanha.

O início do fim ou o fim do início?

No final do século XIX, o Império alemão juntou-se ao Império Austro-Húngaro e à Itália, em um pacto chamado de Tríplice Aliança. Pouco depois, Inglaterra, França e Rússia também organizaram um pacto, chamado de Tríplice Entente. Eram pactos militares e rivais. Pactos de guerra. Faltava um estopim para o conflito mundial ocorrer. O cenário estava pronto. Cheiro de pólvora e de enxofre no ar.

Milhões de patriotas à espera da morte.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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