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Olimpia e o arqueofeminismo na Revolução Francesa

A francesa Marie Gouze nasceu em 7 de maio de 1748, durante o reinado de Luís XV. Filha de pai açougueiro e mãe lavadeira. Anos depois, Marie adotou o nome de Olímpia de Gouges, tornando-se excepcional dramaturga, ativista política, feminista e abolicionista. Tudo isto numa época na qual havia pouco ou nenhum espaço para as mulheres atuarem na política e nas artes. Muito menos para uma ativista do arqueofeminismo, ou seja, o movimento feminista nos seus primórdios. Seus textos conquistaram leitores, fato que a tornou notória conhecida. Admirada e odiada. Estamos no século XVIII, é bom lembrar.

A militante Olímpia

Olímpia tornou-se militante de várias causas. Foi abolicionista, democrata e, claro, feminista. Sua militância aconteceu, como vimos, em pleno Antigo Regime, época da repressão absolutista, sociedade estamental e do conservadorismo. Olímpia foi uma revolucionária.

O Iluminismo estimulava a crítica à velha ordem e abria portas para que intelectuais e ativistas aparecessem com seus questionamentos e ideias. Nos salões e clubes e nas lojas maçônicas, os iluministas condenavam o absolutismo, defendiam o estado de direito, os três poderes, a igualdade civil, entre outras coisas. Fundamentalmente, havia uma eclosão de inquietações com a ordem vigente. Pensadores como Voltaire, Locke, Rousseau, Montesquieu, Diderot e D’Alembert irradiavam novos horizontes para a sociedade e a política. Era neste ambiente que Olímpia, apesar de ser mulher, convivia e absorvia a magia das novas ideias.

A Revolução Francesa

Então, em 1789, veio a Revolução Francesa. A Bastilha caiu. A Assembleia Nacional assumiu o poder após destituir o rei Luís XVI. Liberdade, Igualdade e Fraternidade! Eis o brado dos revolucionários. Uma nova era surgia diante dos olhos de Olímpia que, ardorosa, apoiava.

A Declaração Universal dos Homens

Em pouco tempo, a Assembleia promulgou a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. Belíssimo texto que consagrava um novo tempo para os franceses e para o mundo, pois era Universal. Entretanto, o radicalismo tomou conta do processo revolucionário. A Revolução começou a matar seus próprios filhos e a engolir seus criadores. Além disso, os termos “Homem” e “Cidadão” presentes da Declaração eram muito mais vinculados ao gênero masculino do que à humanidade. A feminista Olímpia não viu, na Revolução, espaços para a ascensão da mulher e, descontente com os rumos da política da Revolução, ela afirmou:

“A mulher tem o direito de subir ao cadafalso; ela deve igualmente ter o direito de subir à Tribuna”.

Por isto, e sendo mais revolucionária que a própria Revolução, Olímpia publicou um novo “Contrato Social”, sob influência de Rousseau, no qual defendia o “contrato do casamento” como um instrumento que garantisse a igualdade entre homem e mulher. Também escreveu a famosa “Declaração Universal dos Direitos da Mulher e da Cidadã”, na qual ela pergunta:

“O que as mulheres francesas ganharam com a Revolução ?”

Com este questionamento, ela explicitava a situação das mulheres na História e sua situação de submissão e sujeição aos interesses dos homens.

Olímpia deve morrer

Contrária à violência, Olímpia considerava que a Revolução deveria ser menos um ato de violência e mais uma mudança de postura e de consciência. Suas falas e escritos foram considerados como oposição à Revolução. No dia 3 de novembro de 1793, Olímpia foi guilhotinada.

Execução de Olímpia de Gouges pela guilhotina em 1793.

A Revolução matava mais uma de suas filhas rebeldes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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História
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