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Guernica, o horror e Picasso

  • por em 18 de junho de 2021

A cidade e a guerra

Guernica é uma cidade espanhola que não tem 20 mil habitantes, de acordo com o censo de 2019. Fica em Biscaia, comunidade autônoma do País Basco, que fica no norte do país.

Durante a Guerra Civil Espanhola (1936/1939), a Legião Condor, aviação alemã, bombardeou Guernica. Era o dia 26 de abril de 1937 e o comandante da Luftwaffe afirmou que “a força foi direcionada para Guernica a fim de deter e interromper a retirada Vermelha que tem que passar por aqui.“ No dia seguinte, o mesmo comandante registrou no diário de guerra a seguinte frase: “Guernica queimando”.

O ataque da Legião Condor foi o primeiro bombardeio aéreo maciço contra a população indefesa de toda uma cidade na história na Europa. Mais de um quinto da população de Guernica morreu no ataque e muitos deles queimados pelas bombas incendiárias. A cidade não tinha nenhuma importância estratégica ou militar.

O bombardeio a Guernica é uma das muitas atrocidades ocorridas na Guerra Civil, que, por si só, foi uma atrocidade que ceifou a vida de mais de 500 mil pessoas. O general Francisco Franco (1892/1975) venceu a guerra, com a apoio de Hitler e Mussolini, e implantou o fascismo na Espanha, cujo lema seria “Una Fé, Una Pátria e Uno Caudilho”.

O general fascista Francisco Franco em pintura de propaganda.

A arte que denuncia a guerra

Pablo Picasso (1881/1973), artista espanhol que estava na França na ocasião da destruição de Guernica, fez um óleo sobre tela, com 351 x 782,5 cm. Atualmente o mural está no Museu Reina Sofia, na cidade de Madrid.

A obra, no estilo cubista, foi feita para a Exposição Internacional de Paris. O artista retratou o drama do covarde bombardeio que atingiu uma cidade indefesa. Observa-se a dor e o desespero que atingiram as pessoas. Vale observar a mensagem que a obra contém. É monocromática, o que ressalta o caráter de denúncia  que o artista imprimiu ao quadro. As figuras indicam o pavor da guerra. Alguém no chão com as mãos abertas pedindo socorro. 

Uma mãe com o filho morto nos braços chora de desespero. Outra pessoa com os braços estendidos é devorada pelas chamas.  Há uma mulher ferida que se arrasta no chão. O cavalo e o touro são figuras simbólicas para a cultura espanhola e indicam a violência praticada contra a Espanha. Em destaque, alguém com um lampião ilumina a cena como se fosse um anjo da esperança que aparece para iluminar o caos da guerra.

Pablo Picasso e sua obra Guernica.

Anos mais tarde, Picasso comentou sobre Guernica: “No, la pintura no está hecha para decorar las habitaciones. Es un instrumento de guerra ofensivo y defensivo contra el enemigo.” (“Não, a pintura não está feita para decorar apartamentos. Ela é uma arma de ataque e defesa contra o inimigo.”)

Hoje, Guernica está em paz e as lembranças estão praticamente restritas ao quadro de Picasso. O mundo não está em paz e o lampião do anjo encontra-se em muitos lugares.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Literatura
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