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Jogos Olímpicos – História e contemporaneidade

Origem

A Grécia da Antiguidade era organizada politicamente em cidades estados, entre as quais, Atenas, Esparta, Corinto e Tebas. Apesar de independentes umas das outras, as cidades gregas eram unidas por laços culturais, religiosos e linguísticos. Tais vínculos não impedia que ocorressem, periodicamente, guerras entre os gregos, como a Guerra do Peloponeso, entre Atenas e Esparta, nos anos  de 431 a 404 a.C. De acordo com as pesquisas, é provável que os Jogos Olímpicos tenham surgido no século VII a.C. As lendas indicam que Hércules,  após seus Doze Trabalhos, fez um estádio em honra de Zeus, seu pai e principal divindade da mitologia grega. Batizado de Estádio Olímpico, o local seria consagrado às competições esportivas entre as cidades gregas em determinadas épocas. A cidade de Olímpia, na qual havia uma enorme estátua de Zeus, era a sede  das competições. 

Corridas de bigas na Grécia Antiga: primeiras olimpíadas do mundo.

Assim, nasceram as Olimpíadas.

Nas épocas de paz, realizavam-se competições esportivas. Variações de atletismo, corridas de bigas (carroça de duas rodas puxada por um cavalo) e combates diversos. Os jogos eram um espetáculo que indicava um momento de paz entre as cidades estados, uma trégua. Até hoje, apesar de todos os percalços, as Olimpíadas representam um momento de congraçamento e união fraternal entre os competidores e suas nações.

Olimpíadas no mundo contemporâneo

No mundo contemporâneo, os jogos Olímpicos foram inaugurados no ano de 1896, na cidade de Atenas. Foram atletas de 14 países. Em 1914, o barão de Coubertin (1863/1937) idealizou o símbolo dos Jogos Olímpicos, constituído pelos cinco aros – azul, amarelo, preto, verde e vermelho, interligados num fundo branco, que significava a união dos continentes.

Em função da 1ª. e 2ª. Guerras Mundiais, as Olimpíadas foram suspensas. Deveriam ter sido realizadas, respectivamente, em Berlim e Tóquio.

Jesse Owens dos EUA em primeiro, seguidos pela Alemanha e Japão nas Olimpíadas de Berlim em 1936.

No ano de 1936, na Alemanha, Berlim sediou os Jogos Olímpicos. Hitler se aproveitou da ocasião para divulgar a ideologia nazista e, em especial, a doutrina da supremacia da raça ariana. Os  norte-americanos negros, Jesse Owens e Cornelius Johnson  venceram provas de atletismo e deixaram os nazistas furiosos.

Tóquio, México e Munique – paz, black power e radicalismo

Em 1964, as Olimpíadas foram realizadas em Tóquio. A tocha olímpica, que abriria os jogos, foi colocada por Yoshinori Sakai, nascido no dia 6 de agosto de 1945, na cidade de Hiroshima, exatamente no mesmo dia em que a bomba atômica foi lançada na cidade. Assim, a imagem do jovem de 19 anos, sobrevivente da bomba atômica, simbolizava a busca e a vitória da paz.

Apesar de levantar a bandeira da paz e da fraternidade, os Jogos Olímpicos também foram palco da violência, do radicalismo e da morte.

Foi o que ocorreu na cidade do México, em 1968, quando sediou os Jogos Olímpicos. Antes da abertura dos jogos, o governo reprimiu protesto estudantil, o que resultou na morte de dezenas de manifestantes. Além disso, durante a realização dos jogos, ocorreu um evento que marcou politicamente as Olimpíadas da cidade do México. Os atletas negros norte-americanos John Carlos e Tommie Smith, além do australiano branco Peter Norman, subiram ao pódio e prestaram homenagem aos direitos humanos. Os norte-americanos levantaram o braço direito e, com o punho cerrado com luvas pretas, fizeram o gesto que simbolizava o “Black Power” e a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Norman, em apoio, envergava o distintivo do Projeto Olímpico para Direitos Humanos.

O infame ataque terrorista executado pelo Setembro Negro na Olimpíadas de Munique: massacre de atletas de Israel.

Nas Olimpíadas de Munique (Alemanha), em 1972. Terroristas árabes militantes do movimento “Setembro Negro” e vinculados à Organização para a Libertação da Palestina (OLP), invadiram a Vila Olímpica onde ficava a delegação de Israel. Sequestrando vários atletas. Após frustradas negociações com o governo alemão, ocorreu uma desastrada ação policial que resultou na morte de 11 atletas israelenses, um policial alemão e 5 terroristas. Três terroristas foram capturados e presos, entretanto, foram soltos pouco depois, trocados por reféns de um voo da Lufthansa, sequestrados também por palestinos.

Montreal, Moscou e Los Angeles – Apartheid e Guerra Fria

As Olimpíadas de Montreal (Canadá),  realizadas em 1976, foram palco de boicote. Várias nações africanas, além do Iraque e da Guiana, não participaram das competições em protesto contra a presença da Nova Zelândia. A questão começou com o boicote da Comitê Olímpico Internacional (COI) contra a África do Sul, em função da prática do apartheid (racismo contra os negros no país). Apesar das pressões internacionais, antes dos jogos olímpicos, a Nova Zelândia realizou um jogo de rugby com a seleção da África do Sul, fato que contrariou profundamente diversos países do mundo, especialmente os africanos.

Olimpíadas de Moscou em 1980 e a lágrima de Misha: boicote dos países do bloco capitalista.

Outra vez, as Olimpíadas externavam Moscou, ainda na União Soviética, foi palco dos Jogos Olímpicos de 1980. Mas tensão internacional. A Guerra Fria estava nos seus momentos finais, mas ainda não havia acabado. No ano anterior, os russos invadiram o Afeganistão e impuseram  um regime subordinado à URSS. Em represália, Os Estados Unidos e mais de 60 países boicotaram Moscou. A resposta soviética não tardou a ocorrer: em 1984, a URSS, Cuba e vários países subordinados ao regime soviético boicotaram os Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos.

Tóquio 2021 – Globalização, pandemia e Naomi Osaka

Em um cenário globalizado, multipolar e integrado às redes sociais de forma maciça, é impossível desvincular os Jogos Olímpicos das questões políticas, sociais, econômicas e culturais que afligem a humanidade. Neste ano de 2021, em meio a Pandemia que assola o mundo inteiro, Tóquio abriu as portas para as competições olímpicas que contam com a presença de mais de 11 mil atletas de 200 países. A Pandemia provocou o adiamento de 2020 para 2021 e, claro, várias medidas sanitárias foram adotadas para deter a propagação do vírus Covid-19 no evento.

Tóquio 2021: as olimpíadas da pandemia.

A tenista japonesa Naomi Osaka acendeu a pira olímpica. Filha de mãe japonesa e pai Haitiano, Naomi por si só, antes mesmo de disputar qualquer partida, já é um símbolo da fraternidade internacional.

Ah, o Brasil sediou os Jogos Olímpicos de 2016, realizados na cidade do Rio de Janeiro. Desde 1920, o Brasil participou de todas as edições dos Jogos Olímpicos (de verão), exceto da Olimpíada de Amsterdã (1928).

Que venha agora os Jogos Olímpicos de Paris de 2024.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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