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O poço de petróleo, a fonte da juventude e o pote de moedas de ouro

  • por em 22 de maio de 2021

Benjamim Graham (1894/1976), um grande investidor, gostava de contar esta história:

“Um empresário da área de petróleo foi para o Céu e pediu a São Pedro para deixá-lo entrar. Este mostrou ao homem que o Céu estava muito cheio de homens do petróleo e, portanto, ali não havia espaço para o empresário. Então, este pediu ao Santo para dizer quatro palavras aos homens de petróleo que entupiam o Céu. ‘Sem problemas’, respondeu S. Pedro. O empresário gritou para os demais o seguinte: ‘descobriram petróleo no Inferno!’. Na mesmo instante, todos os homens deixaram o Céu e foram procurar petróleo nas profundezas. Admirado, São Pedro elogiou a proeza do homem, dizendo que agora havia mais espaço no Céu e que ele poderia entrar. O empresário, ficou pensativo, coçou a cabeça e respondeu: ‘acho que vou com eles para as profundezas do Inferno. Afinal de contas, pode haver alguma verdade nesse boato. 

A busca pela eternidade

O eterno é buscado pela humanidade desde que a humanidade é humana. Os homens são animais que sabem que vão morrer. Têm consciência da finitude da vida e sofrem por isso. Buscam falsear esta realidade com o mito, a religião, muitos cosméticos e cirurgias plásticas.

Na Idade Média, os europeus acreditavam na existência do Reino do Preste João, soberano em cujas terras havia a fonte da juventude que fazia com que qualquer homem que nela se banhasse ficasse jovem de novo. O Preste João tinha uns 500 anos e aparentava pouco mais de 30. Estas fábulas era consideradas como uma verdade e alimentavam as ambições de muita gente. Marco Polo (1254/1324), veneziano que foi ao Extremo Oriente, acreditava na existência desse mágico reino.

Rei Preste João: mito das maravilhas do oriente.

O infante português, d. Henrique (1394/1460), iniciador das Grandes Navegações, almejava encontrar o reino cristão de Preste João.

A ambição material e espiritual

É importante ressaltar que não havia limite claro entre ambição material e ambição espiritual. Era tudo misturado na cabeça e nas ações dos navegantes. 

Na cultura irlandesa, há o mito do Leprechaun, um ser que habita as florestas e que fabrica sapatos, dois pares por ano – os melhores sapatos do mundo.  Esse homenzinho da floresta é simpático e conhece o caminho para o fim do arco íris. Mas, é muito difícil conseguir pegá-lo, pois eles é esperto, arisco… E, se conseguirmos a  sua captura, haverá necessidade de termos coragem para acompanha-lo no caminho até o fim do arco íris, onde está o pote cheio de moedas de ouro maciço. Na mitologia irlandesa, o pote e o Leprechaun, são símbolos daquilo que fazemos na vida e dos nossos sonhos. Cada moedinha é um sonho, um desejo …amor, riqueza, saúde, amigos, diploma… É preciso agarrar o homenzinho da floresta, sempre arredio e escondido.

Ainda procuramos o poço de petróleo, a fonte da juventude e o pote de moedas de ouro. Não importa onde estejam.

Nos potes e no Reino do Preste João, atualmente, vamos encontrar cremes rejuvenescedores, cirurgias plásticas revolucionárias e a beleza eterna.. Nas profundezas, haverá riquezas que vão financiar nossa eternidade.

No inferno, há petróleo em abundância.

Na floresta, escondido nas folhas das árvores, o Leprenchaun ri de nossa ignorância.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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